
No início deste nova caminhada, e para que nunca me esqueça, decidi transcrever aqui o meu percurso, numa altura em que quase completo 3 anos de espera.
Este relato não vos pretende maçar, é apenas para mim, para eu não me esqueçer, de nada, o tempo começa a passar, e há coisas que a memoria começa a apagar.
Há quase 3 anos atrás casamos. O desejo de ter um filho já existia, e, como tal, desde logo fomos á sua procura. Os meses foram passando, e eu, pressenti desde logo que algo poderia não estar bem. Porém, esperei um ano, o tempo considerado normal.
Passado um ano fui á ginecologista. Fiz os exames normais. Vieram os resultados, e, o meu medo, as minhas premonições, confirmaram-se. O espermograma não estava bem. Lembro-me de nesse dia descer da Rua Castilho até á Baixa, com uma vontade enorme de chorar, porque te tinha de contar.
Nesse mesmo dia, a médica, desde logo me aconselhou as consultas de infertilidade, e como escape, talvez, mandou-me tomar o dufine. Fiz 2 ciclos de dufine, sem qualquer monotorização. Uma parvoíce, e desde logo achei aquilo um pouco descabido.
Em seguida, fui á médica de família, que conheçe bem a minha mãe, pedi-lhe para não lhe contar nada. Marcou-me logo consulta para o Hospital a que pertence-mos.
Do Hospital Garcia de Orta, passados alguns meses, enviaram-me uma carta com uma marcação de Histeroscopia, e outra para pagar uma consulta que hipoteticamente tinha tido. Pensei que era engano, dirigi-me ao Hospital, e, para meu espanto, disseram-me que teria de pagar uma consulta ficticia porque iria fazer um exame, e que se marcaram logo o exame era porque este era o procedimento normal. Continuei a achar estranho, fazer um exame sem sequer ter sido consultada, mas quem era eu para duvidar.
No dia exacto do exame, apareceu-me o periodo, mas desloquei-me ao hospital. A enfermeira, avisou-me de imediato que não podia fazer o exame, e mais uma vez questionei-a sobre o facto de fazer primeiro o exame, sem ser consultada. A mesma resposta: "Assim ficam logo a ver o que se passa aí dentro". Marquei novamente o exame, sendo que só tinha vaga dali a uns meses.
Na segunda data, estava atrasada uns dias, e desconfiei mais uma vez que assim não me fariam o exame. Assim que cheguei, agora com outra enfermeira, expliquei logo o sucedido, chamou o médico, e aí sim deram pelo erro. Pediu-me desculpas, disse-me que foi um erro do hospital, poderia nem ser necessário fazer o exame, eu tinha era de ter uma consulta, que me marcou com urgência, para dali a um mês.
Cheguei á consulta, duas médicas, uma adormeceu várias vezes durante a consulta, a outra viu os exames. Sem grandes rodeios disse-me logo que ali não me iriam fazer nada, só faziam estimulações, não tinham biologos, logo não se realizavam no Hospital Garcia de Orta Fiv's. O nosso problema era masculino, logo, a solução era uma Fiv, ou uma ICSI. Curioso é que hoje me encontro a fazer estimulações, e, afinal o nosso problema não é só masculino, mas também feminino.
Mandou-nos para o Hospital Santa Maria.
Fim da parte I.